24 de out de 2016

MINHA CONTA

JOSÉ AMAURI CLEMENTE
OUTRUBRO 2016

Quando o tempo passa a cobrar com juros
Quando a conta dos atos aparece
Quando os anos intensos rompem os muros
E o calor da idade nos aquece
A justiça do tempo não esquece
Pois na folha do tempo tem notado
Mesmo quando não estamos lembrado
Ou aquilo que lembra é muito raro
Hoje a vida me cobra muito caro
As tolices e os atos do passado

Minha conta não foi mais prorrogada
Pois o tempo rompeu com o contrato
Já pedi pra que fosse ela apagada
Me negaram dizendo: isso é um fato
Hoje sofro dos outros o maltrato
Por viver quando jovem sempre errado
Mesmo quando estou sendo consolado
Me acusam, é só esse  meu amparo
Hoje a vida me cobra muito caro
As tolices e os atos do passado

Se pedindo perdão ninguém me escuta
Pois o tempo nos mostra a cicatriz
Vivo hoje perdendo na disputa
Pro passado que me faz infeliz
Uma letra de amor ninguém me diz
Quando falam estou sendo magoado
O disparo do tempo está armado
Posso ver o gatilho e o disparo
Hoje o tempo me cobra muito caro
As tolices e os atos do passado

Na estrada que segue pro perdão
Os sinais e as placas retiraram
Nem a linha que mostra a direção
Meus melhores momentos não mostraram
Meus amigos de mim já se afastaram
Pois fugiram por serem maltrado
Vivo cego sem saber qual o lado
Minha sorte precisa de um reparo
Hoje o tempo me cobra muito caro
As tolices e os atos do passado

Se na luz dessa minha ignorância
O escuro da dor permaneceu
Pois os erros que fiz na minha infância
Tenho a dor sobre mim de quem sofreu
O culpado disso tudo sou eu
É por isso que já tô conformado
Pois sei que se voltasse ao passado
Viveria outra vez o despreparo
Hoje o tempo me cobra muito caro

As tolices e os atos do passado

14 de out de 2016

LINGUAGEM

JOSÉ AMAURI CLEMENTE
2016

A linguagem no Brasil
Depende da região
Do estudo ou da cultura
Da muita ou pouca lição
Da forma como aprendemos
Do lugar em que vivemos
Do meio em que se aprende
Pois tem lugar afastado
Que mesmo cabra formado
Se for humilde se rende

Vi um médico conversando
Com um matuto outro dia
Achei muito interessante
Escrevi em poesia
Pois com os dois aprendi
Por isso aqui escrevi
O que vi acontecer
E cheguei à conclusão
Que em cada região
Temos sempre o que aprender

Enquanto eles conversavam
Uma moça ali passou
O médico olhou para ela
E seu corpo observou
E com olhar abismado
Perguntou desconfiado:
Prestaste bem atenção?
Em sua parte frontal
E na região nasal
Não fitas-te  o olho não?

Notaste sua orbitária?
Perfeita e bem maquiada
Suas curvas labiais
Parietal ajustada
E  as suas mamilares?
Não me são familiares
Longe da umbilical
A região Epigástrica
Sem falar da mesogástrica 
Quase me faz passar mal

Sei que você percebeu
Quando minhas orbitárias
Dirigiu-se ao flanco dela
E suas glândulas mamárias
A glútea estava coberta
Ilíacos deixam alerta
Qualquer um que observar
Torácica a torna perfeita
Pra mim estaria eleita
Basta ver no desfilar

O matuto disse; Dotô
O sinhô tá inganado
Pois eu acabei de ver
Um bixin bem arretado
Pois eu vi uma minina
Dos olhos que a minha sina
Nunca trouxe ela pra mim
O sinhô está de lôa
Eu vi uma nega boa
Igual nunca vi assim

Notei foi o zoio dela
Com maquiage coberto
Os beiço muito bonito
Os peitos no lugar certo
A venta bem afiada
Das que deixa o camarada
Doidinho só de oiá
Daquelas que a gente ver
E luta luta pra ter
Mas só fica a desejar

Se  o sinhô viu outra coisa
Quando oió para a mulé
Eu vi uma sem barriga
Mais parecendo um filé
Daqueles liso e sem banha
Que a todo home assanha
Quando pensa em ver deitado
Um corpo lindo e perfeito
Com as coxa sem defeito
Que parece torneado

Eu vi que o sinhô olhou
Pra os quarto da danada
Tremeu quando oiô pra bunda
Eita que nega arrumada
A barriga é sem defeito
Pois vi que ela tem os peito
Perfeito sem um errinho
Mas parece que o sinhô
Nem a isso observou
Parece que vi sozinho

Ficou aí distraído
Oiando pra outro lugar
Nem viu esse muierão
Que acabou de passar
Mulé dos tambo bem perfeito
Quase sem bucho e bem feito
Me deixou tonto e azuado
Isso é bem feito dotô
Quem mandou que o sinhô

Olhasse pro outro lado?

4 de set de 2016

O SONHO


AUTOR: JOSÉ AMAURI CLEMENTE
AGOSTO 2016
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS


Em sonho eu presenciei
Um encontro triunfal
Algo que sempre esperei:
Ver o Juízo final
O dia do galardão
Onde Deus com sua mão
Abriu o livro da vida
E a cada uma chamava
Que ao ouvir se aproximava
Pra falar e ser ouvida

Pra sena ser assistida
No lugar alto eu estava
Ali era a despedida
E quem na fila esperava?
Gente de toda nação
Aguardava ter na mão
O nome pra ser chamado
Eu esperava meu nome
Pois Jesus filho do homem
No trono estava sentado

Vi um nome anunciado:
Barrabás! Alguém gritou
Ele então desconfiado
Do trono se aproximou
Jesus então lhe olhando
Disse assim quase chorando
Você fez revolução
Mas teve oportunidade
Se encontrou com a verdade
E não quis a salvação

Tivestes disposição
De grandes grupos formar
De fazer oposição
Reunir e protestar
Mas contigo me encontrei
E nova chance te dei
E você não aceitou
Preferiu aplauso e fama
Jogou a chance na lama
Mesmo sabendo quem sou

Em seguida alguém bradou:
Pilatos é sua vez!
Ele um passo adiantou
Um sorriso irônico fez
Jesus então suspirou
E com olhar de amor
Abriu o que estava escrito
E disse: Você falhou
E a salvação recusou
Não por que tava predito

Seu nome não estava escrito
No livro da perdição
Pois assim eu tinha dito
Já na tua formação
Poder e glória te dei
Mas contigo me encontrei
Pois vi tua ansiedade
Mas você de mim zombou
E a verdade rejeitou
Pra tua infelicidade

Para o trono da verdade
Foi Dimas então chamado
Um ladrão sem piedade
A Barrabás comparado
Que durante a sua vida
Que na terra foi vivida
Não foram bons os seus atos
E eu com a minha crença
Já não via diferença
Entre o ladrão e Pilatos

Dimas pensando nos fatos
Já não podia negar
Pensando em todos os atos
Nem pra Deus podia olhar
Mas Jesus com sua luz
Lembrou do dia da cruz
Quando Dimas disse em dor:
Eu sei que dei prejuízo
Mas no dia do juízo
Lembra desse pecador

Jesus disse com amor:
Dimas se aproxime mais
Fostes mesmo pecador
Seus atos foram iguais
A Barrabás e Pilatos
Não posso negar os fatos
Pois pecado é tudo igual
Mas quando a mim encontrasse
Com amor tu me aceitasse
Desprezasse todo mal

Não foi nada casual
O encontro lá na cruz
Pois mesmo com todo mal
Você aceitou a luz
Viu que estava a teu lado
Quem por ti foi maltratado
Para poder te salvar
Pois abriu o coração
Pediu e teve perdão
Antes da vida acabar

O motivo de hoje estar
Do pecado perdoado
Foi por não me recusar,
O Cristo crucificado
Quando você confessou
Sei que você não falou
Mas enfim reconheceu
Que a vida só tem vida
Quando é oferecida
Quem de volta a vida deu

Vendo aquela sena eu
Fiquei pasmo observando
Vendo quem a vida deu
Com o pecador se abraçando
Tava ele perdoado
Pelo Salvador julgado
Só por que reconheceu
E confessou seu pecado
Quando ficou confrontado
Com o Cristo que venceu
   
Vi chamar o nome meu
Eu tremi ao escutar
O meu corpo estremeceu
Sentei na cama a pensar
O sonho tinha acabado
Eu tava sendo alertado
Enquanto estava com vida
Percebi sem ter engano
Ter Deus em segundo plano
É ter a vida perdida

Será que no fim da vida
Quando tudo se acabar
Quando aqui findar a lida
E meu nome Ele chamar
Qual vai ser o fim da história
Quando Ele vier em glória
Pra julgar todos meus atos
Vou viver sempre na luz
Adorando ao meu Jesus
Ou com Barrabas e Pilatos?


25 de jul de 2016

MEU PAI NÃO TINHA RAZÃO


Nordestino é cabra macho!
Assim papai me dizia
Ele nunca passa em baixo
Seja de noite ou de dia
Não foge de uma baderna
O cacho que tem nas pernas
Valentia é compromisso
Se ver uma briga boa
Não foge nem fica atoa
Enfrenta e mostra serviço

Meu pai dizia: olhe bem
O home tem que sê forte
Não ter medo de ninguém
Mermo que seja pra morte
Não abre nem pra o cão
De tapa mata leão
E mama em onça pintada
Correr não ficou pra homem
Quando encontra  lobisomem
Mata ele de mãozada

Esse monte de bobagem
Que papai tanto falava
Ia me dando coragem
De vez em quando eu brigava
Quando pegava um mais fraco
Dava-lhe um cata cavaco
E botava pra correr
Que nos canto que eu chegava
Quem fosse fraco arredava
No queria nem me ver

Meu pai dizia: Vavá
Todo gordo é ruim de briga
Nascero para apanhar
Pois gordo só tem barriga
Aquele monte de banha
Quando briga nunca ganha
Nem no tapa nem no murro
Pois até pra aprender
Nem sabe se defender
Eita desgraçados burro

Eu de besta acreditei
No que papai me dizia
Por muito tempo esperei
Por mais esta estripulia
E foi num jogo de bola
Que eu marquei na cartola
E olhei pra um gordinho
E disse vai ser agora
Vô da nele de espora
Como faço com o burrinho

Eu era um branco taludo
Quase um metro só de perna
Ele um baixinho troncudo
Eu pensei: Vai ter baderna
Hoje eu vô mostrar quem manda
Vou entrar nele de banda
Se a bola vier pra mim
E vô dá-lhe uma rasteira
Jogar ele na poeira
Que ele vai comer capim

Só bastou mesmo eu pensar
Tocaram a bola pra mim
O gordinho veio me marcar
Aí eu pensei assim:
Eu vô dá-lhe um imprensão
Empurrei com as duas mãos
Que a costela estremeceu
Ele botou corpo duro
Foi como bater no muro
Quem caiu pra trás foi eu.

Me levantei azoado
Vendo o céu de toda cor
Com o zoio esbrugaiado
Sentindo no corpo a dor
Aí o juiz deu farta
Puxou do boço uma carta
Vermelha que nem pimenta
Eu já quase desmaiando
E o povo de lá gritando
Tem sangue no pau da venta

Então eu pra me vingar
E pra não ficar pra traz
Parti para me vingar
Há! foi pior meu rapaz
Quando a mão eu estendi
Na munheca a dor senti
Ele o braço segurou
Ele deu-me uma gravata
Pode crer quase me mata
Até hoje eu sinto a dor

Só via o povo gritar
Bem baixinho quase sumindo
Vai vavá, vai vavá!
Outros de longe sorrindo
E o folego se acabando
Eu de dor já me cagando
Mais não podia gritar
Há gordinho forte peste
Hoje eu não passei no teste
Dessa vez vou me lascar

Ô força descomunal!
Papai tava era mentindo
Eu ali passando mal
O fôlego quase sumindo
O jogo logo parou
Foi quando um de lá gritou
Bota força valentão
O juiz pra me salvar
Pediu pra ele me soltar
Ele me jogou no chão

Eu deitado na poeira
Com a cara toda melada
O povo aquela zoeira
Uma gritaria danada
Passei quase meia hora
Para ter uma melhora
E saber ande é que eu tava
Foi uma pisa infeliz
E se não fosse o juiz
Daquela eu não escapava

Depois do caso passado
Quase uma hora depois
Eu ainda estropiado
De um tava vendo dois
Foi aí que percebi
Que o cara que agredi
Não era um gordinho não
Eu estava era enganado
Já era um home formado
Era um infeliz de um anão

Até que me chegue a morte
Não sei nem quero saber
Se gordinho é fraco ou forte
Com isso deu pra aprender
Talvez papai “teja” certo
Mesmo assim não passo perto
Pra evitar confusão
Mas pra ver eu me mijar
Basta só alguém gritar:
Vavá, lá vem o anão!

Todos os direitos reservados.



1 de abr de 2015

JÁ NÃO SEI O QUE É PIOR

AUTOR: JOSÉ AMAURI CLEMENTE

Lembro o ontem como se fosse agora
Desejando que o ontem hoje voltasse
Como sempre a mim tu maltratasse
A saudade maltrata o peito agora
Lembro triste os momentos de outrora
Que eram poucos momentos de alegria
Pois em mim desse um banho de água fria
Minha vida jogasse no recanto
Quem eu tanto amei chorando tanto
Hoje passa por mim sem dá bom dia

A distância de ti me deixou perto
Do stress e da beira da loucura
Seu amor para a mim seria a cura
Desse sol que me queima no deserto
Meu viver dessa forma é incerto
Não consigo viver nessa agonia
Sonho a noite que vou te ter um dia
Mesmo que essa dor cale o meu canto
Quem eu tanto amei chorando tanto
Hoje passa por mim sem dá bom dia

O sorriso que brota do teu rosto
Faz chorar quem por ti perdeu o sono
Vivo tão infeliz no abandono
Quem me ver nota logo meu desgosto
Teu olhar nos meus olhos sempre exposto
Não consigo esquecer se quer um dia
Já não sei se é pior agonia
De viver ao teu lado ou no meu pranto
Quem eu tanto amei chorando tanto
Hoje passa por mim sem dá bom dia

Se viver ao teu lado causa pena
Viver longe de ti traz desgraça
Já tentei fazer tudo mais não passa
O teu corpo me segue em cada sena
A lembrança dos beijos me envenena
Mesmo assim era tudo que eu queria
Em pensar de nunca te ter um dia
Nem a morte me causa tanto espanto
Quem eu tanto amei chorando tanto
Hoje passa por mim sem dá bom dia


Se chorando eu sorria ao teu lado
Hoje choro por não ter mais sorriso
Hoje sei foi maior o prejuízo
Do que tudo que sofri no passado
Quem me dera tivesse conformado
Com os tristes momentos de alegria
Quem me dera poder voltar um dia
Mesmo em choro abraçar teu corpo santo
Quem eu tanto amei chorando tanto
Hoje passa por mim sem dá bom dia

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS











28 de jan de 2015

SEPARAÇÃO DE BENS



JOSÉ AMAURI CLEMENTE

Seu dotor eu num sei ler
Por isso vou lhe falar
É pra o senhor escrever
O que vou lhe relatar
Escreva aí no papé
Prumode a minha mulé
Não me dar um prejuízo
Que a gente vai separar
Pra ela num me enganar
E eu ter que sair liso

Em trinta anos de casado
Trabaei de fazer medo
Dormindo tarde e cansado
Isso nunca foi segredo
E depois dos fio criado
Eu vivo aqui revortado
Com a minha companheira
Que hoje quer me deixar
Pensando que vou lhe dar
A minha furtuna  inteira

Anote aí seu dotô
Que eu vou começar dizer
Hoje tenho seis tamburete
Duas vassoura de sambê
Com os cabo bem alinhado
Um sapato invernizado
Por que o outro se rasgô
Um cinturão amarelado
Feito de cordão trançado
De um punho que se quebrou

Uma rede ainda boa
Com um buraquinho rasgado
Aguenta duas pessoas
Se não for muito pesado
Um pote ainda meio d’àgua
Um radim pra minhas mágua
Eu esquecer escutando
Só farta mesmo consertá
Mode o danado tocá
Quando eu tiver trabaiando

Não esqueça de anotar
O meu copo transparente
Que serve pra eu tomar
Os meus gole de aguardente
Meus três tijolo batido
Que tá no quarto escondido
Pra fazer o meu fogão
Se eu não tivesse guardado
Ela já tinha levado
Ô mulé sem coração!

A minha cama só farta
Dez vara pra terminar
A esteira tá bem arta
Cumade vai terminar
O candeeiro tá furado
Mas tá cum sabão tampado
Só vaza quando tá cheio
Isso pra mim não é drama
Por que ele só derrama
Se tiver pra lá de meio

A cachorra tá doente
Só pariu dez cachorrinho
Não esqueça do meu pente
Que só tem oito dentinho
Mas serve pra pintiar
Quando eu vou viajar
Um dia a cada dez mês
A camisa sem botão
A bermuda e o calção
Que paguei de doze vez

Um cabo de cavador
Que ganhei do marcinero
Um pé de ventilador
Um coro vei de pandeiro
O cabo de uma viola
Um vidro de botar cola
Que me serve de caneco
Catoze espiga de mio
E um pedaço de fio
Que é a tramela de um buteco

Minha escova dessa vez
Nem precisa anotar
De dente eu só tenho três
Pra que desgraça escovar
Todo dia era uma briga
Por que aquela bixiga
Queria escovar primeiro
Como os meus dente era mais
Ela tinha seu rapaz
Que fica pru derradeiro

A peneira e o balaio
O quengo de tirar sopa
Aquela parte do gaio
Que a gente pendura ropa
Pode botar anotado
O meu caçoar rasgado
Onde os gato tão deitado
Pensa que pertence a ela?
É a cama da cadela
Não pode ser retirado

Eu só vou deixar pra ela
Pra no dizer que sou rim
Um filhote da cadela
E um abano novim
Meu fecho de lenha verde
E pra não morrer de sede
Vou abrir mão da quartinha
Só tá com gogó quebrado
Mais se bota com cuidado
Sustenta a água todinha

E por isso seu dotô
Eu vou dá castigo a ela
Vou retirar todo amor
Que dei aquela cadela
Ela vai ter que escolher
Se vai comigo viver
Quero ouvir isso primeiro
Quero saber meu amigo
Se ela vai viver comigo
Ou com o fio do fazendeiro.


JOSÉ AMAURI CLEMENTE
JANEIRO 2015