2 de abr de 2018

VIDA NA ROÇA


Seu moço, eu sô um caboco
Pobre e sem instrução
Mermo passando sufoco
Muitas vezes precisão
Sem ter de ninguém ajuda
Sem parente que acuda
Quando o verão é puxado
Eu amo viver na roça
Gosto da minha paioça
E vivo aqui sossegado

As vez a chuva demora
Parece inté que num vem
Mas a vida lá de fora
Num tem o que a gente tem
Pois quem mora na cidade
Não tem seu moço, a metade
Das alegria dagente
Pois mermo sendo pouquinho
Divido com meu vizinho
E assim vivo contente

Os que moram na cidade
Por pouca coisa se zanga
Não tem a felicidade
De subir no pé de manga
Pegar a fruta madura
Isso é vida criatura!
E comer sem caburete
Jaca tirada do pé
Pra mim essa vida é
Mió que quaiquer banquete

Feijão de corda verdinho
Pra fazer feijão tropero
Leite com cuscuz cedinho
Carne de bode ou carneiro
Criado sem injeção
Desse que come ração
Prantada a beira do rio
Que tem água lamiada
Mais somente nas chuvada
Nos tempo do inverno frio
  
Seu dotô quem nunca viu
O só nascer de manhã
E também não assistiu
O cantar de uma cauã
Cantando de manhazinha
Parecendo a ladainha
Que eu via mamãe rezá
Não me diga que feliz
Quem não ouviu um concriz
E o cantar do sabiá

Quem nunca comeu do pé
A manga escorrendo o leite
Um cuscuzin com café
Não sabe o que é deleite
Quem nunca pegou a faca
Para partir uma jaca
Melando os dedo de liga
Limpar com gaz e sabão
Vida melhor num tem não
Se tiver moço me diga!

Comer fava com galinha
Criada sorta a vontade
Misturada com farinha
Isso não tem na cidade
Banana verde cozida
A melhor coisa da vida
Quem uma vez já provou
Morre e nunca mais esquece
Quem viveu isso merece
Passar o que já passou

Eu não troco o meu roçado
Pelas coisa da cidade
Prefiro ser isolado
Mais chei de felicidade
Mermo sem informação
Prefiro tirar do chão
O sustento pra comer
E mermo o maior do zome
Todo dia ele só come
Se o matuto lhe vender.

8 de jan de 2018

MANUAL DO BOM PROFISSIONAL

Liderar é mesmo um dom,
Há os que pensam que são!
As vezes ser líder é bom
Outras vezes até que não
Vou dizer em poucos versos
O segredo dos sucessos
De quem liderou com fama
E fez tudo acontecer
É líder por merecer
Seja cavalheiro ou dama

Seja firme no que diz
Porem seja maleável
Veja se o aprendiz
É do tipo confiável
Dê-lhe oportunidade
Ensine sempre a verdade
Que é pra manter a moral
Pois mesmo o subordinado
Se ele estiver do seu lado
Você nunca se dar mal

Seja o líder ajudador
Não faça somente o seu
Trate o outros com amor
Cumprindo o que prometeu
Também não seja metido
Daquele tipo enxerido
Que em tudo quer mandar
Se você não for chamado
Fique no “cantim” calado
Que é pra não atrapalhar

Procure está informado
E antes de reclamar
Veja se o que foi falado
É preciso divulgar
Muitas vezes conversando
As coisas vão se encaixando
E o caso é resolvido
Pois as vezes camarada!
Um grito perde a boiada
E vira caso perdido
  
Em outros casos porém
Um grito salva a boiada
Quem sabedoria tem
Palavras são encaixadas
Como um quebra cabeça
Seja firme e não esqueça!
Não jogue conversa ao chão
Não precisa falar alto
Basta não descer do salto
E acaba a confusão

Planeje sempre que for
Botar um plano em ação
Procure um ajudador
Não faça sozinho não!
Aceite novas ideias
Porém não ouças as plateias
Pois nem sempre o grupo acerta
E cuidado em quem confia
Por que quem serpente cria
Precisa estar sempre alerta

Respeite a hierarquia!
Tem sempre um superior!
Não viva de anarquia
Isso é chato e causa dor
Mas as vezes uma risada
Por uma boa piada
Que a ocasião surgir
Por que ninguém é de aço
Também não palhaço
Pra fazer o povo rir

Jogue no time do bem
Ouça quem for seu amigo
Seja amigo, e não refém
Escute quem está contigo
Agora vá com cuidado
Mesmo estando do seu lado
As vezes até pode errar
Um erro ou outro se acerta
Ria, cante, fique alerta
Importante é liderar.


16 de out de 2017

A ELEIÇÃO DOS BICHOS


Conta-se de uma selva não muito distante do nosso país, onde as árvores eram prédios grandes e edifícios suntuosos, esta floresta havia sido projetada por moradores que habitariam ali. Em lugar da lua, grandes lâmpadas espantavam a escuridão da noite. Os animais se escondiam, não em cavernas escuras, nem em ninhos feitos de gravetos, mas em salas claras e limpas.
Nesta grande selva moravam animais grandes e pequenos, todos porem, mamíferos e a grande maioria carnívoros, não andavam sobre quatro patas, apoiavam-se apenas em duas.
Ao cair da tarde, nem todos corriam para a cama, pois tinham também hábitos noturnos. Alguns saíam à caça de animais da própria espécie, os caçados não serviam de alimentos, pois estes animais não se alimentavam da própria espécie, caçavam apenas pelo prazer de matar.
Viu-se a necessidade de um rei para liderar os animais desta floresta de pedra. Lobos, leões e ovelhas se candidataram, todos deveriam escolher através do voto secreto.
Leões devoradores não foram eleitos por causa de sua violência e "esturros" ignorantes, lobos foram impedidos de governarem, por serem traidores e costumarem roubar sorrateiramente.
Por não encontrarem animais carnívoros com qualidades para governar, a maioria resolveu então confiar nas ovelhas. Estas por sua simplicidade e boas intenções, foram aceitas para administrarem a grande floresta.
Tudo ia bem, até o dia em que os lobos tiveram uma "excelente ideia": Estudaram o comportamento das ovelhas, seus costumes e hábitos, passaram a comer o que elas comiam, viver como elas viviam e se infiltraram no palácio onde só os bons governavam.
O disfarce foi perfeito! tão perfeito que as pobres ovelhas não perceberam e deram cargo de confiança aos lobos e ainda incentivaram os animais votarem e escolherem as novas “ovelhas” como governantes de cada província.
Com tanta astucia os lobos foram devorando as pobres ovelhas, e vestidos em suas peles, disfarçados de rebanho a alcateia construiu covil no centro daquela floresta, e para confortar os animais da selva, criaram leis que na prática nunca sairiam do papel.
Séculos depois, as ovelhas não mais governam, lobos fazem acordos com leões e animais ferozes. Quase todas as ovelhas foram retiradas do poder, aquelas que quiseram permanecer, tiveram que aprender os costumes dos lobos e leões a fim de não serem devoradas.
A grande maioria das ovelhas desta floresta, hoje não se abriga em casas de luxo, aos poucos estão sendo mandadas para moradias que mais parecem cavernas escuras à beira de rios e despenhadeiros. Os leões e lobos tomaram seus lugares e as empurraram para as montanhas, entregues à própria sorte.
Passaram então a dominar totalmente a floresta de pedras. Fala-se que a história termina com a extinção das ovelhas, outros acreditam que estas reagiram e tomaram posse do reino novamente. Há os que ensinam que os lobos e leões se autodestruíram devorando uns aos outros. Não se sabe ao certo o fim desta história. Se alguém a escreveu, ficou perdida no tempo, ou os leões a mantém em total sigilo.


A COR


A cor que difere
Quando à pele fere
E quando prefere
A desigualdade,
Se torna maldade
E traz dissenções
Sem intervenções
A quem se refere

Se é vista de forma
Que nada transforma
E que pouco informa
Sobre a igualdade
Se torna maldade
E muda as ações
E as reações
A vida deforma

A cor não importa
Se bem se comporta
Se ao outro suporta
Sendo diferente
Se faz coerente
Pois ver tudo igual,
Pois ver desigual
O bem não aporta

A cor que difere
Se a pele não fere
Se a todos prefere
Ver com igualdade
Não vendo maldade
Sendo desiguais
Pois somos iguais,
Isso prolifere!


31 de jul de 2017

SER NEGRO

O passo à frente sob a ordem do policial fez-me entender que a igualdade apregoada pelos conformados com o sistema, está longe do que deveria ser. Tivesse o policial abordado o negro da mesma forma que abordou o motorista branco a poucos minutos, teria deixado uma impressão diferente para os espectadores.
A sabatina feita ao desconhecido “negro” não teve o mesmo tom de voz nem a mesma quantidade de perguntas feitas ao motorista anterior. Não tem o negro direito a comprar um carro do ano? Não pode o negro levar seus amigos à praia sem drogas no porta malas e sem cigarros no porta luvas? O simples baixar do vidro não teria respondido aos questionamentos sobre o negro assim como respondeu as dúvidas sobre o branco?

Um país mestiço que tenta esconder sua origem, tona-se inferior apenas por não aceitar sua diversidade.

28 de jul de 2017

O SEGREDO DE JUDITE

PUBLICADO EM 2010, REPUBLICADO EM 2017.


Não era a primeira vez que eu ouvia passos estranhos no alpendre toda vez que chegava ao portão de casa, isso me deixava, quando não irritado, curioso. Na maioria das vezes fingia não ouvir, ou tentava encobri-los com assovios enquanto caminhava em direção à porta de entrada. Sempre nervosa, Judite, a quem havia prometido perante o sacerdote e uma gama de testemunhas composta por compadres, primos e comilões, amá-la eternamente em quase todas as adversidades, vinha me receber com um caloroso cumprimento de boas-vindas. Impossível não perceber o olhar desconfiado, cabelos despenteados, lábios trêmulos, rosto pouco suado, Olhar de quem me escondia algo. Embora preferisse ser recepcionado ouvindo o nome que minha madrinha escolheu e concretizou na pia batismal, Judite sempre repetia a mesma frase: -Tão cedo Chico? Achei que iria fazer hora extra.
Embora lesse em meus olhos a pergunta, nunca me respondeu por que demorava tanto abrir a porta quando em assovios e passos barulhentos eu caminhava pelo corredor e chamava  na porta principal. Daria tudo para entender por que a chave sempre estava por dentro, a porta sempre fechada e o lenço que costumava usar na cabeça quando estava na cozinha servia de
toalha para enxugar as mãos e o rosto.
Não gostava nenhum pouco quando me tornava o principal alvo dos olhos das mulheres nas janelas ao passar pela rua, me irritava tanto quanto a dúvida o torcer dos pescoços dos moradores em pé nas calçadas ao me virem passar, parecia sentir o peso dos olhos dos espectadores em minhas costas até dobrar a esquina da padaria. Não entendi por que o padeiro não me olhava nos olhos há três semanas, nem bom dia eu ouvia de sua boca desde os primeiros passos estranhos no meu alpendre.
Terrível era pensar que depois de quarenta e nove verões, faltando sete dias para completar mais um, a mulher que há trinta primaveras me prometeu honrar enquanto vivesse, estivesse de caso com o padeiro. Embora a saída do meu quintal desse acesso à rua da padaria, o portão de traz nunca havia sido aberto com tanta frequência como nesta última semana, a chave da dispensa que nunca saiu do chaveiro preso à parede era tão visível quanto a verdade a respeito dos passos estranhos no alpendre. As noites que se seguiram pareciam ter quarenta e oito horas, os olhares flechados em mim durante o dia pareciam estar presos ao teto, enquanto os sussurros ampliados pela criatividade do ferido pareciam gritos que acordavam a vizinhança.
Porque será que a toalha que cobria a mesa no café desta manhã não era a usada costumeiramente? Esta era a pergunta que não me saia da mente enquanto caminhava pela rua
sob o olhar dos curiosos em direção ao trabalho. Tão agradável quanto a dúvida era o ecoar da
Indagação feita ao sair de casa: Vai fazer hora extra hoje? Não me lembro de ter ouvido esta pergunta durante os trinta anos de convivência, mas esta semana já era a quarta vez.
Poderia ter voltado para casa como de costume, mas nesse dia resolvi almoçar ou pelo
menos fingir em um barzinho próximo ao local de trabalho.
Poderia chegar em casa naquele dia meia hora antes do combinado e deixar que os
herdeiros da padaria dividissem a herança mais cedo. Não hoje! pensei, não vou comemorar
cinquenta anos fugindo da polícia por cometer duplo assassinato. Quem sabe depois de amanhã? No horário costumeiro resolvi voltar para casa, ao chegar ao portão, o barulho dos passos parecia mais alto, embora emudecessem ao tilintar da chave fazendo coro com meus
assovios. Parecia até ouvir respirações ofegantes, meus sentidos diziam que alguém além de
Jú estava na cozinha. O cenário era perfeito para uma noite de amor: A casa estava arrumada, embora o sofá nem tanto, parecia que crianças haviam corrido sobre ele, a sala estava tão iluminada quanto a verdade em minha mente. Parecia não haver ninguém ali, apenas parecia, pois eu podia jurar que estava ouvindo sussurros.
Com passos trêmulos fui até a cozinha, já estava próximo à despensa, para descobrir toda a verdade, precisava apenas acender a luz... O “tic” do interruptor foi abafado pelas palmas e a voz desafinada do coro: Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Pasmei!

Até hoje não entendi três coisas: Como pude desconfiar de Jú; como coube tanta gente naquela despensa e como conseguiram pagar um bolo tão grande. Sei apenas quem pagou o mico em sua primeira festa de aniversário.

16 de mai de 2017

OS TRÊS DESEJOS

AUTOR: JOSÉ AMAURI CLEMENTE

Eu um dia caminhava
Por uma praia sozinho
A beleza eu avistava
Sem ninguém no meu caminho
De repente eu tropecei
No objeto e olhei
Um candeeiro no chão
Me abaixei e peguei
E pra limpar esfreguei
O objeto na mão

Foi quando me apareceu
A fumaceira danada
Um mais alto do que eu
Gritando e dando risada
Dizendo olhando pra mim
Hô rapaz até que em fim
Você me apareceu
Me tirou desse apertado
Eu tava aqui sufocado
Sem saber quem me prendeu

Como agradecimento
Vou lhe atender três pedidos
Faço seu contentamento
Mesmo os casos mais perdidos
Peça mesmo o que quiser
Seja dinheiro, mulher
Casa ou apartamento
Que eu lhe dou de bom grado
O que for do seu agrado
Como agradecimento

Falei sem titubear
Pra ver se era verdade
Quero grana pra gastar
E matar minha vontade
O gênio estalou o dedo
Eu quase morri de medo
Quando vi aquele trem
Vinte vagões alinhados
Com os caixotes apilados
Tudo de nota de cem

Eu disse então, companheiro
Eu quero ficar bonito
Por que mesmo com dinheiro
Acho meu corpo esquisito
Faça uma cirurgia
Sem dor e sem agonia
Que eu quero mudar meu jeito
Quero ser de um jeito assim
Que quem venha olhar
Cace e não ache um defeito

Foi em questão de segundo
Eu vi meu rosto mudar
Senti um prazer profundo
Vendo meus braços engrossar
A feiura foi sumindo
Meu corpo ficando lindo
Que eu nem acreditei
Minha voz mudou o tom
Achei aquilo tão bom
Quase nem acreditei

Mas faltava outro pedido
Eu tinha que caprichar
Mesmo estando agradecido
Não podia dispensar
Me veio então na lembrança
Um desejo de criança
Que eu tive um dia na rua
E falei sem fazer greve
Quero que você me leve
Pra ver a terra da lua.

Ele ia bater palma
Eu disse: pode parar
Vá sem pressa, tenha calma
Deixe primeiro eu falar
Eu não quero ir voando
Quero ir é caminhado
E sem demora chegar
Quero vim de lá montado
Em um cavalo selado
Que eu via papai falar

Pra isso faça uma ponte
Que  vá da terra pra lua
Vá depressa, nem me conte
Qual é à vontade sua
Comece logo e ligeiro
Que eu vou guardar o dinheiro
Que é pra ninguém me roubar
E volto aqui pra saber
Pois antes do sol nascer
Amanhã quero estar lá

O gênio disse: Tá louco?
Pra que tanto desespero
Você ainda acha pouco
Eu te dar tanto dinheiro?
Como é que eu vou fazer
E me diga como erguer
Uma coluna pra lua?
Cadê o material?
Tu tá é passando mal
Sai daí, deixa da tua
  
Eu falei então se vire
O gênio aqui é você
Durma tarde, sonhe delire
Aprenda como fazer
Eu quero trabalho feito
Tudo firme sem defeito
E faça com tudo novo
E o tempo  tá correndo
Vou acabar te prendendo
Nessa garrafa de novo

Rapaz deixa eu te levar
Monte aqui nas minhas costas
Eu posso te carregar
Aceite a minha proposta
Eu disse está conversando
Eu quero mesmo ir andando
Se preciso eu levo alforje
Faça que eu tô apressado
Pois eu quero andar montado
No cavalo de São Jorge

Senhor tenha piedade
Não tem dinheiro que dê
Eu não tenho nem a metade
Do que dei para você
Falta o cimento e a brita
Pedreiro, cimento e fita
E metro para medir
Falta a colher de pedreiro
Acabou o meu dinheiro
Como é que eu vou conseguir?

Leve o resto do dinheiro
Que eu guardei na poupança
Deixe desse desespero
Isso é coisa de criança
Peça o que o senhor quiser
Até a minha mulher
Que a muito tempo não vejo
Invente que eu realizo
Rapaz pense crie juízo
Veja aí outro desejo

Tudo bem, eu vou mudar
Já que você tá pedindo
Escute o que eu vou falar
Fique esperto, tá me ouvindo?
Sim senhor, como quiser
Já fiquei até em pé
Pode falar de primeira
Qualquer coisa eu lhe atendo
Pois agora já estou vendo
Que qualquer outro é besteira


Quero que você me faça
Sem negar nem mudar planos
Na minha mente se passa
Isso já faz vinte anos
A Espera vai ter fim
Você vai fazer pra mim
Sei que pode e também quer
Vá logo e sem brincadeira
E mostre uma maneira
De entender minha mulher

Tão grande foi a surpresa
Que o gênio caiu pra trás
Tá falando de certeza
Ou tá brincando rapaz?
Tu acha que foi por quê?
Que pedi pra você
Ficar com minha senhora
Eu já penso isso a mais anos
Pode tirar dos seus planos
Era o que faltava agora!

Já que lhe devo um pedido
E preciso lhe pagar
Pra isso ser esquecido
Vamos logo conversar
O que você me pediu
Ninguém nunca conseguiu
Não era o que tu querias?
Me diga logo, me conte
Você quer que eu faça a ponte
Com uma ou com duas vias?

Nessa hora eu acordei
Com a mulher me chamando
Assustado levantei
Pra ela fiquei olhando
Pois se eu não fosse chamado
Eu tinha negociado
E sei que ele ia querer
Sei que ia levar canudo
Mas ia devolver tudo
Só pra ele me dizer