12 de mar. de 2014

SÓ SE APRENDE QUANDO APANHA



AUTOR: JOSÉ AMAURI CLEMENTE


Tem um proverbio falado
É o mais certo do mundo
Quem criou tava inspirado
Tem um saber bem profundo
Que brasileiro tem manha
Só aprende quando apanha
Leva pau e sai gritando
Vou relatar pra os amigos
O que aconteceu comigo
E tu vai sair chorando

Vou contar em passos  lento
Pra puder chegar no fim
Falar do meu casamento
Contar titim por tim tim
Um caso que não deu certo
Pois eu metido a esperto
Fui dá uma de durão
Acabei perdendo a fama
Por viver de cama em cama
E metido a Ricardão

Me casei com uma pessoa
Bonita de fazer gosto
Além de bonita boa
Sem um defeito no rosto
Dessas bonita e formosa
Que mais parece uma rosa
Que enfeita o mundo inteiro
Andava sempre cheirosa
Bonita e boa de prosa
Um sonho de brasileiro

Quando me casei com ela
Nem tinha onde me sentar
Nem uma caixa de vela
Eu poderia comprar
Mas nós trabalhamos junto
Sempre com o mermo assunto
De um dia miorá
Até que em poucos janeiros
Nós já tinha algum dinheiro
Por que sabia juntar.

Meu casamento ia bem
Agente era bem feliz
Na nossa vida ninguém
Ia meter o nariz
Combinava direitinho
No lar só tinha carinho
Amor e satisfação
Até que um certo dia
Eu fiz uma covardia
E fiz uma traição

Nos conseio do amigo
Arrumei outra muié
Amigo não inimigo
Que o nosso bem não qué
Fui me envolvendo rapaz
De notar não fui capaz
Onde tava me metendo
Recebi conseio de sobra
Ela virou uma cobra
Depois que ficou sabendo

Me chamou pra conversar
E deu aconselhamento
Lutou para conservar
Tanto o nosso casamento
Mais é que estava cego
Satisfazendo meu ego
Nem beleza nela via
Eu lamento nessa hora
Por que ela foi embora
Faz dois anos e quinze dias

Foram dois anos lutando
Dizendo que eu tava errado
Que a outra só me queria
Quando eu tivesse abastado
Mas quando eu tivesse liso
Ia ter um prejuízo
E ser jogado na lama
Hoje percebo a cilada
Tô dormindo na calçada
E fui jogado da cama

O dinheiro repartido
A prostituta comeu
Arrumou outro marido
E de mim já se esqueceu
Já chorei que só o cão
Voltei pedindo perdão
Chorando desconfiado
Mais ela nem deu ouvido
Pois já tem outro marido
Não me quer mais nem pintado

Gastei tudo quanto tinha
Com a bandida safada
Casa, comida e cozinha
Nunca lhe faltava nada
Tudo que pedia eu dava
Tudo que eu dava gastava
E queria muito mais
E eu como moribundo
Me tornei um vagabundo
Porque baguncei demais

Outra mulher como aquela
Eu morro e não vejo mais
Nem buscando a luz de vela
Ou procurar nos jornais
Perdi por que não pensei
Nem mesmo valorizei
Quem firmou comigo a lida
Trocar uma mulé de luta
Por beijo de prostituva
É a pior coisa da vida

Já dizia o pregador
E quem leu tá lhe dizendo
O que vale é o amor
Viva o que tiver vivendo
Preste atenção no que eu digo
Ouça o conseio de amigo
Se não for pra confusão
Pois para ganhar na vida
O mais que vale a perdida
É o pedaço de pão.

JOSE AMAURI CLEMENTE

26 de dez. de 2013

O PAÍS DOS DESIGUAIS
















O PAIS DOS DESIGUAIS
Todos os direitos reservados a José Amauri Clemente

DIZEM QUE EM NOSSO PAIS
OS DIREITOS SÃO IGUAIS
ISTO É A LEI QUEM DIZ
ISSO EU LI EM JORNAIS
POREM QUEM É RICO EXPLORA
E O POBRE SOFRE OS AIS.

COMO QUE ISSO É VERDADE?
SE UNS MORAM MUITO BEM
NA FAZENDA OU NA CIDADE
MUITOS TÊM OUTROS NÃO TÊM
BASTA UM RICO NA CIDADE
PARA EXPLORA MAIS DE CEM

SE MORRE UM RICO OU FAMOSO
A TV LOGO ANUNCIA
DIZ LOGO QUE ERA AMOROSO
FAZ REPORTAGEM DO DIA
FAZEM FILA PARA VER
COM LUTO E SEM ALEGRIA

O POBRE SÓ APARECE
UM MINUTO NO JORNAL
QUANDO ENTÃO DESAPARECE
PRESO POR UM MARGINAL
OU ENTÃO PELA POLÍCIA
QUANDO APANHA E PASSA MAL

TEM ALGO QUE EU NÃO ENTENDO
NESSE QUERIDO BRASIL
A XUXA SÓ TEVE UM FILHO
E O MUNDO INTEIRO VIU
MINHA MULHER TEVE DEZ
NENHUM VIZINHO APLAUDIU

QUANDO MORRE UM DA FAVELA
MESMO QUE SEJA DO BEM
SE FOR DE FEBRE AMARELA
A TV DISFARÇA BEM
DIZEM QUE FOI PELO TRÁFICO
COITADO! NEM CULPA TEM

QUANDO É PRESO UM “ELEMENTO”
CHAMA-O LOGO DE LADRÃO
NÃO PASSA POR JULGAMENTO
JOGAM LOGO NA PRISÃO
MAS OS HOMENS DE GRAVATA
ESPERAM O MENSALÃO

QUANDO UM POBRE É CONDENADO
É CHAMADO DE OTÁRIO
PAGA EM REGIME FECHADO
E NÃO RECEBE SALÁRIO
JÁ QUEM É DO MESSALÃO
CONTINUA MILIONÁRIO

MESMO SENDO CONDENADO
NÃO VIVE PRESO JAMAIS
POR LEI LOGO É LIBERTADO
POR DOENÇA É INCAPAZ
É LHE OFERECIDO EMPREGO
DE QUARENTA MIL REAIS

O POBRE NO FIM DA VIDA
PRA PODER SE APOSENTAR
TEM UMA VIDA SOFRIDA
AS VEZES NEM CHEGA A GANHAR
DOIS SALÁRIOS DE QUINHÃO
VIVE AÍ NA PRECISÃO
SEM TER A QUEM RECLAMAR

JÁ O RICO SE APOSENTA
MESMO SEM TER A IDADE
VAI VIVER LÁ FAZENDA
SEM TER QUE IR A CIDADE
O DINHEIRO LEVAM EM CASA
ISSO É QUE É FELICIDADE

MEU PAÍS É DESIGUAL
ISSO TÁ NA CARA SIM
SÓ O POBRE PASSA MAL
ISSO PRA MIM É RUIM
ATÉ QUANDO MINHA GENTE
ISSO TEM QUE SER ASSIM?

SERÁ QUE UM DIA TEREI
UM PAIS DE IGUALDADE
SERÁ QUE UM DIA VEREI
PARA TODO A LIBERDADE
EM UM PAIS DE IGUAIS
SEM VIVER DE FALSIDADE

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
JOSÉ AMAURI CLEMENTE













15 de ago. de 2013

VERDADEIRAS HEROÍNAS


ÁUDIO


   
   
   


AUTOR: JOSÉ AMAURI CLEMENTE
Nestes versos que escrevo
Quero homenagear
As mulheres de outrora
O por que vou explicar
Elas eram heroínas
Sofrendo desde meninas
Sem xingar nem reclamar

Vou explicar o porquê
Digo o motivo sem medo
Todos os mais velhos sabem
Isso nunca foi segredo
Era uma vida sofrida
Que pra dar conta da lida
“Dorme tarde e acorda cedo”

Na época da minha mãe
Não tinha fogão a gás
Nem ferro, nem micro-ondas
Conforto que satisfaz
Era tudo feito à mão
Na força da produção
Nem tudo corria em paz

Tinha que cuidar de ovelha
De porco galinha e pato
De catorze ou quinze filhos
E de um marido chato
Que só falava gritando
Dando chute e reclamando
Se ficasse sujo um prato

Água encanada não tinha
Lenha tinha que buscar
Fazer o fogo assoprando
Milho tinha que ralar
Para fazer o cuscuz
No escuro e sem ter luz
Elétrica pra clarear

Se quisesse lavar roupa
Tinha que levar pra o rio
Com dois menino enganchado
Nu mesmo no tempo frio
Pois a roupa que vestia
Levava dentro da bacia
Pra enxugar no estio

Três e meia da manhã
Já tinha que estar de pé
Fosse inverno ou verão
Tinha que fazer café
Pra o marido ir pra roça
Falando de cara grossa
Deixa de dengo “muié”

Todo ano tinha um filho
Nascido no mesmo mês
Muitas vezes amamentava
Três ou quatro de uma vez
Botando um em cada peito
Não sei como dava um jeito
E amamentava três

Não havia geladeira
Nem liquidificador
Dormia em cama de vara
Sem ter um ventilador
Um lençol cobria seis
Um travesseiro pra três
Não reclamava da dor

Trazia feixe de lenha
Antes do galo cantar
Enchia todos os potes
Antes do sol despertar
Pescava peixe no rio
Dizendo esse é pro meus “fio”
Poder se alimentar

Quando o marido queria
Namorar não perguntava
Se ela estava com vontade
Simplesmente lhe ordenava
Vá pro quarto me esperar
Enquanto eu vou tapear
Pedro, julho e Marinalva

Além de cuidar dos filhos
Tinha ainda os animais
Uns quatro ou cinco cachorros
Gatos tinham muito mais
Que pariam de uma vez
Em cada ninhada seis
E ninguém ouvia os “ais”

Faltava televisão
Rádio nem viam falar
Quando havia diversão
Era um forró pra dançar
Marido criava asa
Deixava a mulher em casa
Ia pra festa “farrar”

Quando ele voltava bêbado
Não era pra reclamar
Tinha que lavar a roupa
Caladinha sem xingar
Se não levava na cara
Ou apanhava de vara
Sem ninguém pra lhe apoiar

O marido perguntava:
Cadê o café pra mim?
Já foi mudar as ovelhas?
Já foi tirar o capim?
Pra dar “prás” cabras de leite
Vá antes que eu lhe ajeite
Não gosto de gente assim

Troque a roupa do Joãozinho
Faça o gogó de mané
Cate os "piôios" de "xica"
Corte as unhas de José
Vá depressa sem besteira
"Butar" banha nas coceira
Que "nascero" em "Manué"

Tem o mais novo mijado
Se arrastando pelo chão
Que peste tu tá fazendo?
Que não cozinhou feijão
Passasse o dia brincando?
Se tu tiver me enganando
Arranco teu coração.

Pra contar o sofrimento
Vai faltar tempo e papel
Das mulheres de outrora
Sofreram amargura e fel
Até ir pra terra fria
Nunca tiveram alegria
Espero que cheguem ao céu

Aqui termino o recado
Mesmo sem chegar ao fim
A história foi contada
Um monte falta pro fim
Ria quem quiser sorrir
Irei pra sempre aplaudir
Pois são heroínas sim!

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS


4 de ago. de 2013

JUVENTUDE E SOLIDARIEDADE




JUVENTUDE BELA E PLENA
DO MEU IMENSO BRASIL
JOVENS QUE ENTRANDO EM CENA
VALENDO POR MAIS DE MIL
UNIDOS SERÃO MAIS FORTE
DESAFIA ATÉ A MORTE
NESSE PAÍS VARONIL

SE A JUVENTUDE UNIDA
USAR DE SUA BONDADE
DEDICAR A SUA VIDA
PELA SOLIDARIEDADE
PODEM MUDAR O FUTURO
E DERRUBARÃO O MURO
QUE DIVIDE A HUMANIDADE

SE OS JOVENS SE UNIREM
DANDO AS MÃOS EM PROL DE ALGUEM
SE TAREFA DIVIDIREM
LUTANDO POR QUEM NÃO TEM
DIVULGANDO O AJUDAR
ESSE PAÍS VAI MUDAR
CRESCEREMOS A MAIS DE CEM

GESTOS SIMPLES E CARINHOSOS
FARÃO MUDAR A NAÇÃO
COM RESPEITO AOS IDOSOS
RESPEITANDO OPINIÃO
DANDO PÃO A QUEM TEM FOME
NÃO IMPORTA QUAL O NOME
AJUDA COM SATISFAÇÃO

A JUVENTUDE BRASILEIRA
BASTA QUERER QUE É CAPAZ
TRABALHANDO A VIDA INTEIRA
PROMOVENDO SEMPRE A PAZ
DIVULGANDO A LIBERDADE
MOSTRANDO CAPACIDADE
ANDA SEM VOLTAR ATRÁS