22 de ago. de 2026

APELO DE UM IDOSO

 

Quando o tempo riscar a face
Deixando traços da idade
E as forças que eram tantas
Se tornarem raridades
Só lembranças do que fiz
E as histórias repetidas
Podem matar a saudade
Da trajetória vivida
 
Quando a lentidão chegar
Impedindo a agilidade
E os passos antes firmes
Não tiver habilidade
Não tente me apressar
Não me cobre rapidez
Isso é fruto da idade
Daquilo que o tempo fez
 
Quando a conversa de um velho
Não mais chamar atenção
As piadas que eu contar
Para chamar atenção
Não ignore o que falo
Se mil vezes repetir
Ouça-me com paciência
E me ajude a sorrir
 
Não me deixe lá no canto
Como objeto perdido
Se as coisas que eu me lembrava
Hoje já tenho esquecido
Se eu começar a lembrar
De quem não existe mais
É coisa vindas da idade
E são causas naturais
 
Não grite, não ameace
Respeite os cabelos brancos
Lembre-se que um dia fui novo
Passei trancos e barrancos
Procure ter paciência
Quando me ouvir falar
As vezes choro sozinho
Sem ninguém pra me escutar
 
Na minha mente de velho
Que você diz ser demente
Quando eu não quero aceitar
Digo que não estou doente
É que não consigo ver
Mais com tanta claridade
Não quero aceitar as dores
Que me trouxeram a idade

Portanto me abrace mais
Mesmo se eu não aceitar
Talvez foi a forma errada
De alguém me ensinar
Que me deixou desse jeito
Sem saber abraçar mais
Entenda eu não sou culpado
Nem posso voltar atrás
 
Já não tenho mais meus pais
Que possam me dar carinho
Todos eles já partiram
Não me deixe aqui sozinho
Quando você ficar velho
Não estarei com você
Mas talvez o que sou hoje
Você passará a ser.
 

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