11 de jan. de 2013

A CATÁSTROFE DO NORDESTE

















Em versos quero narrar
Uma historia verdadeira
Que aconteceu em Alagoas
Terra boa e hospitaleira
Uma catástrofe terrível
Que fez grande bagaceira

Dois mil e dez foi o ano
Dia dezoito se deu
Mês de junho foi chuvoso
Foi aí que aconteceu
A maior enchente do século
E muito gente morreu

Por volta do meio dia
O Rio Mundaú transbordou
Levou casa, loja e prédio
E ruas "escavacou"
Levando moveis do povo
Quem viu assim relatou

Todo comercio da cidade
Ficou na lama e no frio
Quem viu na televisão
Mesmo assim teve arrepio
Vendo tudo ser arrastado
Na correnteza do rio

"Bujão", mala e guarda roupa
Tv, sofá, e fogões
Cadeira som e cozinha
Geladeiras e portões
Tudo descendo nas águas
Levada nos turbilhões

Até mesmo caminhão
Carro pequeno também
Foram todos arrastados
Sem procurar ser de quem
Chorava ricos e pobres
Os que tinha e os que não têm

Todos os comerciantes
Perderam mercadoria
Foram centenas de reais
Perdidos na agonia
Alguns chamavam por Deus
Outro pela Virgem Maria

Veio à noite em bagaceira
E a energia faltou
O povo desesperado
A maioria chorou
Pelo fato acontecido
Ninguém mais se contentou

Quinze dias sem TV        ,
Internet, Rádio ou som
Veio o exercito ao local
Pra dar assistência e tom
Para acalmar o povão
Que não estava achando bom

Morreu gente em Mundaú
Em união e correntes
Branquinha foi destruída
Deixou tudo descontente
Estes fatos irão ficar
Guardados em nossa mente

Dois anos já se passaram
Muitos não recuperaram
Casa e bens que perderam
Só promessas nos falaram
Fizeram grande alvoroço
Mais agora se calaram

As grandes autoridades
Não falam nem nos procuram
Nos deixam tudo a mercê
Nem investigam ou apuram
Nos maltratam com promessas
Machucam e depois não curam

Temos ainda esperança
E vamos sonhar assim
Que mesmo sendo esquecido
Venceremos o que ruim
A vitória sempre vem
Esperança ainda tem
Para você e pra mim.

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15 de out. de 2012

HOMENAGEM AO PROFESSOR



Nesse dia abençoado
Quero homenagear
Em versos por mim rimados
Quem parou para escutar
Vai ouvir falar de alguém
Que ensina e sabe bem
Fazer e valorizar

Quinze do mês de outubro
É dia do Professor
Alguém muito especial
Merece apoio e valor
Pois desde o ricão ao liso
Pra vencer sei que preciso
Passar pelo educador

De todas as profissões
Essa é a mais importante
Seja juiz ou gari
Para que possa ir avante
Precisa de um professor
Que com carinho e amor
O incentive ir adiante

Advogado ou artista
Pedreiro ou encanador
Vaqueiro, chefe ou mandado.
Seja qual for o setor
Só chegou lá onde está
Por causa do professor

Seja na sala de aula
Ou em casa estudando
Para aprender os rascunhos
Sempre tem alguém olhando
Desde a mais elogiada
A menos prestigiada
Tem sempre alguém ensinando

Professor quebra a cabeça
Passa por grande sufoco
Com gritos de muito aluno
Quase chega a ficar louco
Tem diretor que reclama
E pra piorar o drama
O salário é muito pouco

É bonita a profissão
Digo isso e assino
Seja ela professora
Ou do sexo masculino
Ensina tudo de bom
Sofre e não foge do tom
Sabre cumprir seu destino

Se existe alguém que merece
Aplausos e gratidão
O professor é um deles
Tem a minha aprovação
Obrigado educador
Pela sua profissão

Pois se não fosse você
Desde a menor profissão
A maior de todas elas
Não teria conclusão
Pois começou na escola
Desde o jogador de bola
Ao formado capitão

A profissão que escolheu
Mesmo às vezes dolorosa
Ainda é mais importante
Uma das tais mais honrosa,
Rivais até podes ter!
Impossível alguma ser
  Mais que a tua, valorosa.


JOSÉ AMAURI CLEMENTE
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS









8 de mai. de 2012

É RUIM MAS É BOM


MULHER É BICHO DANADO
DIFÍCIL DE SE DOMAR
É MELHOR LIDAR COM GADO
POIS BASTA O DONO CHAMAR
QUE UM POR UM OBEDECE
TANTO SOBE QUANTO DESCE
SEM XINGAR NEM RECLAMAR

MAS SEM ELA É RUIM A VIDA
E QUEM NÃO TEM PASSA MAL
É COMO TER A COMIDA
E NÃO PODER TER O SAL
É COMO A NOITE SEM DIA
SORRISO SEM ALEGRIA
NA CAMA DO HOSPITAL

MULHER É COMO QUEBRA MOLA
É CHATO, MAS TEM QUE TER
É COMO IR A ESCOLA
COM VONTADE DE APRENDER
QUANDO SE CONHECE AMA
SEM TER UMA EM MINHA CAMA
É MUITO MELHOR MORRER

É COMO CHORO AO NASCER
SE NÃO TIVER É PIOR
VENHA O QUE VIER FAZER
QUANTO MAIS PERTO MELHOR
GOSTO DA FRUTA E ASSUMO
EU MORRO E NÃO ME ACOSTUMO
SEM TER UMA EM MEU “LENÇÓ”

É COMO REMÉDIO RUIM
QUE AGENTE TEM QUE TOMAR
MAS EU GOSTO DELA SIM
NÃO QUERO ME ACOSTUMAR
A VIVER SEM A COSTELA
POIS MATO E MORRO POR ELA
FALE QUEM QUISER FALAR

TEM TRES COISAS NESSE MUNDO
QUE EU QUERIA ENTENDER
POR QUE O MAR É TÃO FUNDO
POR QUE NASCI PRA MORRER
POR QUE MULHER É TÃO BOM
MORRO E NÃO FUJO DO TOM
DIGAM O QUE QUEIRAM DIZER.

BRASILEIRO OU ET?


EXISTEM COISAS NO MUNDO
QUE NÃO CONSIGO ENTENDER
VOU RELATAR SÓ ALGUMAS
SÓ PRA VOCÊ PERCEBER
SE SER BRASILEIRO É ISSO
EU PREFIRO SER E.T.

SE PARA SER BRASILEIRO
TIVER QUE SER VARONIL
PERDENDO TEMPO NA GLOBO
COM BIG BROTHER BRASIL
TIRE MEU NOME DA LISTA
VOU SAINDO A MAIS DE MIL

PERDER TEMPO COM NOVELAS
ENRICANDO EDIR MACEDO
ENTRANDO EM FOGUEIRA SANTA
PARA AMEDRONTAR O MEDO
SE EU CRER NISSO DIGA ASSIM:
ELE ENDOIDECEU MAIS CEDO

DIZER QUE O TIM BALADA
OU AVIÕES DO FORRÓ
CANTAM MUSICAS POPULAR
NUNCA VI ALGO PIOR
ISSO PRA MIM É BALELA
SEI QUE TEM ALGO MELHOR

BRASILEIRO DE VERDADE
NÃO DESVIA A ATENÇÃO
PRA GRUPO COMO REBELDE
OU COMO A TAL MALHAÇÃO
NÃO APOIA GENTE RUIM
QUE PREGA A CORRUPÇÃO

SE PARA SER BRASILEIRO
TIVER QUE FICAR CALADO
PERDOAR QUINZE MINUTOS
QUEM SEMPRE CHEGA ATRASADO
PODE RASGAR MEU REGISTRO
POIS ELE FOI FEITO ERRADO

SE PARA SER BRASILEIRO
PRECISAR COMPRAR REVISTA
DE MULHER COM PHOTOSHOP
OU DA VIDA DOS ARTISTAS
PREFIRO MORAR NA LUA
ONDE LÁ NÃO TEM CONQUISTA

AMIGO SEMPRE SEREI
MESMO DE QUEM DISSO GOSTA
AINDA PENSO O CONTRÁRIO
ACEITO NOVA PROPOSTA
NÃO VOU DAR RAZÃO AO ERRO
PODE FAZER UMA APOSTA.

21 de nov. de 2011

O SONHO DE SEVERINO


Vou contar uma história
Se é verdade não sei
Já ouvi de outras pessoas
Muitas gargalhadas dei
Vou aqui narrar em versos
Por que quando ouvi gostei

O caso aqui ocorrido
Aconteceu em um lugar
Que não me foi relatado
Mais consigo imaginar
Se foi aqui no Nordeste
Eu prefiro acreditar

Lá pras banda da Bahia
Existia um fazendeiro
Rico com terras e gado
E também muito dinheiro
Tinha fama de bondoso
Amigo e hospitaleiro

Dava atenção para todos
Com respeito e alegria
Quando estava em conversa
Muitas vezes ele dizia
Não gosto de preguiçoso
Isso me dar alergia

Tinha mais de vinte cabras
Morando em sua fazenda
De capataz a gerente
Cuidando de sua renda
Desde casa de tijolo
A casa de taipa e tenda

Entre esses moradores
Morava o Severino
Um rapaz pálido e magrelo
Chegou ali pequenino
Ficou nas terras arranchado
Desde que era menino

Nem vivia trabalhando
Nem dedicava-se ao estudo
Vivia fazendo mandado
E acertava quase tudo
Era conhecido ali
Como Severino mudo

Porem era meio estranho
Nunca havia falado
Andava cabeça baixa
E sempre desconfiado
Mais ninguém dizia nada
Pois já tinha acostumado

Morava em uma das casas
Cedida pelo patrão
Não era lá grande coisa
Mas lhe dava proteção
Pois era parede de meia
Com a casa do patrão

Severino muito malandro
Sempre teve a intenção
De um dia passar a morar
Na casa do seu patrão
E até quem sabe um dia
Dormir lá no seu colchão

Porem nunca se atreveu
O seu segredo contar
Nem falou para o patrão
Pois vivia a planejar
Uma maneira de um dia
Seu plano realizar

Mesmo sem saber falar
Dizia no coração:
Eu um dia ainda durmo
Na casa do meu patrão
Nem que seja meia hora
Eu deito no seu colchão

Quero saber se ele é fofo
Se é de mola ou capim
Pois se gostar da dormida
Vou é comprar um pra mim
Pra dormir sempre no fofo
E nunca mais achar ruim

Besteira de Severino!
Pois devia ter pensado
Em ficar no seu cantinho
Pra não ser prejudicado
Pensou em traçar um plano
Pra o que havia pensado

Talvez se tivesse ido
E falado com o patrão
Contando que gostaria
De dormir no casarão
Tivesse realizado
O sonho daquele bestão

Mas nunca teve coragem
E não sabia falar
Fazia um "babudejado"
Quando ia perguntar
Quando alguém lhe perguntava
Começava a disfarçar

Existia um boato
Falado no barracão
Que ali naquela fazenda
Existia assombração
E onde ele se arranchava
Ela na casa do patrão

Até mesmo o coronel
Já havia comentado
Que ha dias vinha vendo
E estava desconfiado
Que o quarto daquela casa
Estava mal assombrado

Ninguém ousava ficar
Dentro da casa trancado
Pois fazia quase um mês
Estava mal assombrado
E o patrão tava ficando
Um pouco desanimado


No desejo de dormir
Na cama do seu patrão
Severino inventou
De fazer assombração
Porem ninguém desconfiava
Que era dele esta ação

Severino logo entrava
Assim que anoitecia
Na casa do seu patrão
E por ali se escondia
Esperava dar a hora
Pra fazer estripulia

Quando a luz do candeeiro
Se apagava na sala
Que tudo ficava escuro
Ele arrastava uma mala
Batia em toda panela
E babudejava* a fala

Por causa da escuridão
Ninguém mais se levantava
Com medo do "malassombro"
Todos na casa gritava
O mais corajoso ali
Com o lençol se enrolava

Assim por quase dois meses
Severino aprontava
Não desistia do sonho
Que há tanto tempo sonhava
De dormir na cama fofa
Que seu patrão se deitava

A maneira que encontrou
Foi assustando o patrão
Pensando que ele fugia
Com medo de assombração
Pra ver se um dia dormia
Naquele fofo colchão

Mais um dia o seu patrão
Resolveu criar coragem
E armar uma cilada
Para aquela fuleiragem
E fez que ia dormir
E se escondeu na garagem

Combinou com a mulher
Que na hora de dormir
Apagasse o candeeiro
Que hoje ele ia agir
Ou pegava o "malassombro"
Ou ia embora dali

Já havia desconfiado
Que o mudo era culpado
Do "malassombro" da casa
Já que havia se afastado
Das conversas do boteco
Nas noites de feriado

A tardinha ele esperou
E viu na hora marcada
Quando Severino entrou
Com a cara desconfiada
Se escondeu numa sala
Um pouco mais afastada

Bem na hora de dormir
Quando a luz se apagou
O patrão já enraivado
Pra agir se preparou
Em menos de dez minutos
A resenha começou

Terra jogada na sala
E moveis sendo empurrado
Um batuque diferente
Um "babulejo" danado
O patrão não tinha medo
Pois já sabia o culpado

Quando Severino veio
Todo "ancho" e entretido
O patrão deu-lhe um arrocho
Pegou nos seus "pissuido"
Deu-lhe um arrocho tão grande
Que ele deu um gemido

Pare ai cabra safado
Me diga você quem é
Continuou apertando
E cada vez com mais fé
Diga se é "malassombro"
Se é homem ou se é mulher

Agarrou com as duas mãos
Apertou de fazer dó
Quanto mais ele apertava
Botava força maior
E Severino gritava
"Bababá", "bebé", "bobó"

Diga seu nome infeliz
Pois eu preciso saber
Seu nome vou divulgar
Para todos conhecer
Que esse tipo de "malassombro"
Eu boto para correr

O mudo "babulejava"
Que se entendia pouquinho
Mais a dor foi aumentando
Ele ficando fraquinho
Não aguentou mais e disse:
É Severino o mudinho

Foi essa a primeira vez
Que vi um mudo falar
Saiu dali dando salto
Sem força pra se explicar
Teve fim o "malassombro"
Que vivia a assombrar

Severino foi embora
Pois não fez a coisa certa
Levou umas "tabicadas"
E recebeu um alerta
Foi embora reclamando
Andando de perna aberta

A lição ele aprendeu
Demora mais sempre vem
Se contentar com o que seu
Maior que essa não tem
Nunca mais quis se deitar
Em cama de seu ninguém.

José Amauri clemente – novembro 2011.